Thalles Roberto e o Underground dos crentes

22 Jan

Antes de começarem a ler este texto, é importante salientar que NÃO estou defendendo o Thalles. Eu estou dando a minha opinião sobre a situação em que ele se encontra. Eu espero que ele esteja feliz e que ele esteja conseguindo alcançar o sucesso que ele deseja.

Primeiro, deixe-me explicar o que eu SEMPRE odiei nesses “points” de Rock e coisas “do mundo”.

Uma coisa que eu nunca suportei nesse meio era o fato de o underground ser formado por um bando de gente mimada, de 27 anos na cara, que não tinha emprego e achava que ouvir Rock era a vida que eles queriam para todo o sempre.

Portanto, fazer parte deste círculo sempre me fez muito mal. Eu não queria deixar de gostar de uma certa banda só porque ela tocou na Rádio Cidade. Eu não queria parar de usar uma certa camiseta só porque ela ia contra o meu “estilo”. Eu simplesmente queria gostar das coisas, sem peso nenhum na consciência. No Underground do “mundo”, isso não era permitido.

Pois bem.

Há algum tempo atrás eu me converti. Vocês já devem estar sabendo.

Sendo assim, invariavelmente, eu me aproximei mais do mundo cristão. Comecei a ler blogs que falavam sobre isso. Ouvi algumas músicas e tudo mais. Estava disposto a mergulhar de cabeça na parada, mas aí me deparei com uma coisa nojenta. Que já era nojenta “no mundo” e se tornava mais nojenta à medida que eu via pessoas ditas tão “perfeitas” caindo no mesmo problema que antes só enfrentava entre os “ignorantes sem salvação”.

Há alguns dias atrás o Thalles Roberto foi convidado para ir no programa Altas Horas. Bacana, né? Seria, se o pessoal não tivesse começado a levantar a bandeira do cantor vendido, do “traiu o movimento, véi” e por aí vai.

Aí eu pensei “Sério que eu estou vendo isso?”.

Há alguns meses atrás, eu dirigia o carro para um cara que trabalhava comigo. Já falei sobre isso aqui. Como ele tinha carro e não tinha carteira, eu dirigia pra ele como se fosse um outro emprego e sempre estávamos indo pra cima e pra baixo realizar uns serviços que ele prestava para alguns clientes.

Esse cara tinha uma mania de ouvir o DVD do Thalles. 24 horas por dia. 7 Dias por semana. A qualquer hora do dia que eu entrasse no carro dele, ele estava ouvindo Thalles. E ainda era pior, porque não eram só as músicas, era o DVD completo, com as histórias, os depoimentos e tudo mais.

Nessa época eu era ateu. Aquilo não me fazia mal algum, mas me irritava porque já estava ficando chato. Era um saco ter que ouvir as mesmas músicas sempre.

Quando eu estava no meu quarto, no dia da conversão. Eu chorava, eu pedia a Deus e solicitava que Ele viesse salvar a minha alma e mudar a minha vida. A minha ex (aquela que eu amo e que a saudade que sinto não me deixa esquecer, sabe qual é?) tinha mania de orar ouvindo música no quarto. Ela se trancava no quarto e ouvia música. Da sala eu conseguia ouvir ela chorando, rindo, simplesmente sendo feliz, na companhia de Deus.

Quando eu me converti, no quarto sozinho, eu pensei “Ela dizia que o Senhor habita nos louvores”. Qual a melhor maneira de chegar ao Senhor se não trazendo sua morada até mim?

E aí pensei “Que música colocar?”. E é claro que eu queria uma música que falasse exatamente o que eu estava sentindo. Uma música que eu soubesse a letra e que eu pudesse usar como “porta” para chegar até Deus. Mesmo sabendo que não precisava de nada daquilo. Eu era leigo, aquela era uma forma de me dar segurança para fazer algo que eu não sabia e, há poucos minutos atrás, eu sequer acreditava.

Abri o youtube e coloquei a música do Thalles para tocar. Exatamente a música que alguns meses atrás me trazia tanta irritação.

Agora, senhores do underground, me digam. Vocês acham mesmo que o Thalles aparecer em um programa exibido para milhões de pessoas é ruim? Você acha mesmo que a música do cara não vai alcançar NINGUÉM que esteja precisando de uma palavra de conforto ou de um simples “segura aí, to contigo” naquele exato momento?

O clipe “Hold on“, da banda Good Charlote foi exibido pela primeira vez em 2001, na MTV americana. Naquela mesma noite em que o clipe estreava a MTV recebeu a ligação de um rapaz que estava prestes a se matar e desistiu, após assistir ao clipe.

O clipe fala de pessoas que desistiram de suas vidas antes de chegar suas horas. O clipe mostra amigos, familiares, conhecidos e parentes comentando como fulano era e quanto ele fazia falta.

Vendo aquele clipe, o cara que estava prestes a se matar percebeu a grande besteira que estava fazendo e largou tudo de mão. Desistiu de se suicidar.

Se uma banda “do mundo” (tão pecaminosa quanto vocês gostam de lembrar e classificar) conseguiu impedir que UMA alma não fosse jogada ao limbo, não seria hora de parar um pouquinho pra pensar a repercussão que a ida do Thalles e de tantos outros cantores “Gospel” na grande mídia pode nos dar?

Não me importa se o Thalles é vendido, se ele faz promoção pra andar de limusine. Eu não ouço as músicas dele para seguí-lo, eu não estou elegendo ele como um novo santo, eu só estou dizendo que aquilo que ele diz, se ouvido na hora certa, pode impedir uma alma de começar a beber e partir para um mundo onde talvez não tivesse volta.

Então, meus caros irmãos em Cristo, antes de saírem por aí crucificando e julgando os “artistas” que vocês tanto criticam, pare e pense que na hora que alguém estiver precisando de uma palavra amiga, a música deles vai estar lá, perpétua, já o seu preconceito e julgamento, eu espero que seja breve, porque ele não vai salvar ninguém de entregar sua vida.

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